As relações interdenominacionais — namorar ou casar com alguém de uma tradição cristã diferente da tua — são muito mais comuns do que muitos cristãos solteiros imaginam, e levantam questões reais que vale a pena refletir com cuidado.

TL;DR

  • Se tu e o teu parceiro amam Jesus, a denominação por si só não devia ser motivo para excluir automaticamente alguém — mas vale a pena perceber o que cada um de vocês traz para a relação.
  • Chegar a um consenso sobre as crenças fundamentais (Deus, Jesus, o Espírito Santo, o batismo, a oração) é mais importante do que chegar a um consenso sobre todos os pormenores teológicos.
  • A vida na igreja — frequência, estilo de culto, envolvimento — é uma realidade prática e semanal que vale a pena discutir desde cedo.
  • A família e os planos para o futuro, especialmente no que diz respeito a criar os filhos na fé, merecem uma conversa sincera antes de as coisas ficarem sérias.
  • Discute o assunto contigo mesmo em oração, diretamente com o teu parceiro e com um casal de mentores em quem confias.

A denominação religiosa é um motivo para não avançar na relação?

Para a maioria dos cristãos solteiros, namorar tem como objetivo o casamento — uma vida a dois construída com base em algo maior do que qualquer uma das pessoas. É exatamente por isso que as relações interdenominacionais tornam ainda mais importante uma questão fundamental: importa em que igreja alguém foi criado, se ambos amam o mesmo Deus?

Antes mesmo de a questão da denominação entrar na conversa, vale a pena fazer uma pergunta mais importante: qual é o objetivo desta relação? Uma vida passada a olhar um para o outro não é suficiente para construir um casamento — é preciso ter um objetivo comum, seja criar uma família, servir a comunidade ou crescer juntos na fé.

Assim que tiveres resolvido isso, fica mais fácil não dar tanta importância à questão da denominação. Muitas relações interdenominacionais dão certo precisamente porque ambas as pessoas se preocupam mais em conhecer Jesus do que em preencher todos os campos de um formulário de filiação à igreja.

Teologia vs. Crenças Fundamentais

Ninguém espera que um casal concorde em todos os pontos da teologia — mas vale a pena acertar nos princípios fundamentais. As crenças sobre Deus, Jesus, o Espírito Santo, o batismo, as Escrituras, o culto e a oração constituem a base de uma vida de fé partilhada. Se estiverem de acordo nestes pontos, o resto tende a seguir-se mais facilmente.

Duas abordagens que vale a pena evitar nas relações interdenominacionais:

  • “Flertar para converter” — namorar alguém que não partilha de todo a tua fé, na esperança de que essa pessoa mude de opinião.
  • “Convencer e converter” — namorar dentro da mesma fé, mas pressionar o teu parceiro a aderir à tua denominação ou ao estilo da tua igreja, sem mostrares qualquer abertura em relação à religião dele.

Nenhuma das duas atitudes é amorosa, e nenhuma delas costuma funcionar. As relações interdenominacionais saudáveis assentam na abertura, no respeito mútuo e na vontade de ouvir — e não na esperança silenciosa de que a outra pessoa acabe por ver as coisas da tua maneira.

Se tens a certeza de que queres um parceiro da tua própria denominação, isso é algo perfeitamente razoável de se defender. Mas se estiveres aberto a alguém de uma tradição diferente, chegar a um consenso sobre os princípios fundamentais da fé é o ponto de partida certo.

A vida na igreja: o lado prático

A fé não é só teologia — é um ritmo semanal. Em qualquer relação interdenominacional, a vida na igreja é um dos assuntos mais práticos para se discutir:

  • Com que frequência é que cada um de vocês vai à igreja e que importância é que isso tem para vocês?
  • Será que dividir o tempo entre duas igrejas daria certo ou seria um fardo?
  • E quanto aos compromissos a meio da semana — estudo da Bíblia, encontros de oração, participar numa equipa?
  • Como é que cada um de vocês quer celebrar a Páscoa, o Natal e outras datas importantes do calendário da igreja?

Estas questões são importantes mesmo entre casais de tradições semelhantes, mas ganham ainda mais importância numa relação interconfessional, em que o estilo, a estrutura e as expectativas em relação ao culto podem diferir de forma mais notória.

Também vale a pena lembrar que ser cristão vai além de apenas ir à igreja. Como é que cada um de vocês aprofunda a sua relação pessoal com Deus? Há espaço para ambos adorarem e viverem a fé da forma que vos parecer mais natural — mesmo que isso seja um pouco diferente para cada um de vocês? Muitos casais descobrem que aprender com a tradição diferente do parceiro — uma nova forma de rezar, um ritmo diferente de adoração — aprofunda genuinamente a sua própria fé.

Família e planos para o futuro

Muito antes de terem filhos, vale a pena ter uma conversa sincera sobre como os iriam criar. As relações inter-confessionais costumam revelar diferenças reais nesta matéria:

  • Acreditas no batismo de bebés ou na dedicação mais tarde na vida?
  • Quão importante é a frequência regular à igreja para os teus futuros filhos?
  • Que papel vai a oração desempenhar em casa?
  • A tua tradição tem opiniões fortes sobre planeamento familiar ou contraceção que valha a pena conhecer?

Não precisas de ter todas as respostas hoje — mas saber qual é a posição de cada um e onde há margem para cedências vai poupar-vos conversas difíceis mais tarde.

Conversas que vale a pena ter

Contigo mesmo. Antes de envolver outra pessoa na conversa, tem de ter bem claro qual é a tua posição. A oração é o ponto de partida — “Procura a vontade Dele em tudo o que fizeres, e Ele vai mostrar-te qual o caminho a seguir” (Provérbios 3:6).

Com o teu parceiro. Fala abertamente sobre limites, expectativas e em que pontos cada um de vocês está disposto a ceder. Aborda o assunto com curiosidade, em vez de teres um plano pré-definido — “Respeita toda a gente e ama a família dos crentes” (1 Pedro 2:17).

Com um casal de mentores. A sabedoria de quem já passou por relações semelhantes — sejam elas inter-denominacionais ou não — é inestimável. Pede-lhes também que rezem por ti. “Procura obter todos os conselhos e orientações que puderes, para que sejas sensato pelo resto da tua vida” (Provérbios 19:20).

Possíveis pontos de atrito

Algumas questões que surgem frequentemente nas relações interdenominacionais e que vale a pena refletir com sinceridade:

  • O papel das mulheres na liderança da igreja — isto varia bastante de acordo com as tradições e vale a pena chegar a um acordo sobre isso em casal.
  • O Espírito Santo — a forma como cada igreja ensina e integra a obra do Espírito varia imenso.
  • Comunhão — a frequência e a prática variam; descobre o que é importante para ti.
  • Família alargada — os pais e os familiares costumam ter opiniões bem definidas quando uma relação fica séria. Vale a pena preparares-te para isso.

Nenhum destes aspetos tem de ser um motivo para desistir, mas se entrares nisto com os olhos bem abertos, a viagem vai ser muito mais tranquila.


Perguntas frequentes

Os cristãos de diferentes denominações conseguem ter um namoro que dê certo? Sim. Muitos relacionamentos entre pessoas de diferentes confissões funcionam bem quando ambos concordam com os princípios fundamentais da fé e lidam com as suas diferenças com abertura e respeito, em vez de tentarem converter-se um ao outro.

O que devo discutir antes de entrar numa relação inter-confessional? Concentra-te nas crenças fundamentais (Deus, Jesus, o Espírito Santo, o batismo), na frequência e no envolvimento na igreja e — se a relação ficar séria — na forma como criarias os filhos na fé.

É errado namorar alguém de uma denominação cristã diferente? Não há uma resposta única que sirva para toda a gente. É uma decisão pessoal que depende das tuas convicções, da tua comunidade paroquial e da forma como tu e o teu parceiro lidam juntos com as diferenças.

Será que 2 Coríntios 6:14 (“jugo desigual”) se aplica às relações entre pessoas de diferentes confissões religiosas? A maioria das interpretações deste versículo refere-se ao facto de se estar num relacionamento com alguém que não partilha de todo a tua fé, em vez de alguém de uma tradição cristã diferente. A fé fundamental em Jesus é geralmente vista como o critério principal.


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