Sim — muitos cristãos dão demasiada importância espiritual aos encontros, transformando decisões normais (a quem enviar uma mensagem, se devem ir a um segundo encontro, como correu a conversa) em sinais, testes ou veredictos espirituais. Um pouco de discernimento em oração é saudável. Tratar cada encontro como um quebra-cabeças divino para resolver não é — e muitas vezes torna os encontros mais angustiantes, em vez de mais fiéis.

TL;DR

  • Dar demasiada importância espiritual aos encontros amorosos significa interpretar cada pequeno momento — uma mensagem, um “sentimento”, uma coincidência — como uma mensagem de Deus sobre se alguém é “a pessoa certa”.”
  • Normalmente, a intenção é boa: querer honrar Deus com algo tão importante como uma relação.
  • Os sinais incluem a paralisia da análise, tratar os sentimentos como se fossem veredictos e usar linguagem religiosa para evitar uma conversa honesta e adulta.
  • Uma abordagem mais saudável mantém Deus no centro, sem deixar que todas as decisões dependam de um “sinal”.”

O que é que significa dar demasiada importância ao lado espiritual nos encontros?

Dar demasiada importância espiritual aos encontros amorosos é o hábito de atribuir um significado espiritual a cada pormenor do processo de conhecer alguém — em vez de usar o discernimento onde realmente importa e o simples bom senso em todas as outras situações.

Pode ficar assim:

  • Analisar uma única conversa, ou o ausência do número um, como prova da vontade de Deus
  • A rezar por um sinal antes de decidir se respondo ou não a uma mensagem
  • Partindo do princípio de que o nervosismo, a dúvida ou um início mais lento têm de significar que “isto não vem de Deus” — em vez de ser apenas a incerteza normal do início de um namoro
  • Usar frases como “Não me sinto à vontade com isso” para evitar dizer “Simplesmente não estou assim tão interessado”

Nada disto faz com que alguém seja menos sincero na sua fé. Normalmente, significa apenas que se preocupam muito sobre fazer isto bem — e é exatamente por isso que vale a pena dar atenção ao momento em que o hábito começa a prejudicá-los.

Por que é que isto acontece?

Algumas razões pelas quais isto acontece com tanta frequência, especialmente nos encontros entre cristãos:

1. Parece que há muito em jogo. O casamento é um compromisso sério e para toda a vida para os cristãos, por isso é natural querer ter a certeza de que a decisão é a “certa” — às vezes, mais certeza do que qualquer relação amorosa consegue realmente oferecer.

2. A cultura da igreja pode valorizar mais a linguagem espiritual do que a linguagem sincera. Pode parecer mais aceitável dizer “Estou a rezar por isso” do que “Simplesmente não tenho a certeza se sinto atração por essa pessoa”, mesmo que a segunda frase seja, muitas vezes, a mais honesta.

3. Medo de errar. Se uma decisão for vista como “ouvir a voz de Deus”, errar pode parecer um fracasso espiritual, em vez de ser uma parte normal do namoro e do processo de descobrires o que procuras.

4. Pode ser uma forma de evitar a vulnerabilidade. Às vezes, esperar por um sinal é mais fácil do que ter uma conversa direta ou do que ficar com aquela sensação desconfortável de ainda não saber.

Sinais de que podes estar a fazer isso

  • Já rezaste para teres clareza sobre alguém com quem tiveste um encontro
  • Interpretas uma resposta tardia como orientação espiritual, em vez de, digamos, uma semana atarefada
  • Sentes-te culpado só por não te sentires atraído por alguém que “preenche todos os requisitos”
  • É mais fácil para ti dizer “Não sinto paz” do que “Não quero voltar a vê-los”
  • Deixaste uma decisão de lado na tua cabeça por tempo indeterminado, à espera de uma certeza que talvez nunca chegue

Se algumas destas situações te parecem familiares, isso não quer dizer que a fé não tenha lugar no namoro — significa que talvez seja altura de reequilibrar a forma como o discernimento se articula com a tomada de decisões do dia-a-dia.

Como é um equilíbrio mais saudável

Manter Deus no centro do namoro Isso não significa deixar todas as decisões nas mãos de um pressentimento ou de um sinal. Pode ser mais ou menos assim:

  • Reza pelas coisas importantes — personalidade, orientação, valores, compatibilidade — em vez de cada pequena decisão que vais tomando pelo caminho
  • Dá valor à informação comum. A atração, os valores partilhados, a forma como alguém trata os outros e a simples compatibilidade são formas legítimas, dadas por Deus, de perceber se uma relação pode dar certo
  • Sê sincero, em vez de falares como se fosses espiritual. “Acho que isto não é o ideal para mim” é uma frase completa e correta
  • Prepara-te para alguma incerteza. Namorar é, muitas vezes, um processo de descoberta, não um quebra-cabeças com uma única resposta escondida que tens de descobrir antes de poderes seguir em frente
  • Envolve pessoas em quem confias. Os amigos, a família ou um pastor que te conheçam bem podem dar-te uma perspetiva mais realista do que aquela que consegues ter sozinho ao procurar sinais

A fé e o discernimento têm, sem dúvida, o seu lugar nos encontros amorosos. O objetivo não é ter menos fé — é garantir que a fé está a servir para algo útil, em vez de servir de desculpa para uma decisão que estás a evitar.

Perguntas frequentes

É errado rezar para saber com quem namorar? Não — rezar por sabedoria, discernimento e bom caráter num parceiro faz parte de um namoro cristão saudável. O problema não é a oração em si; é esperar que a oração substitua o bom senso sobre a compatibilidade e a forma como alguém te trata.

Como é que sei se estou a dar demasiada importância ao lado espiritual ou se estou realmente a discernir? Um teste rápido: o discernimento costuma esclarecer uma decisão que ainda tens de tomar. A espiritualização excessiva tende a adiar ou a evitar completamente a decisão, muitas vezes ao esperar indefinidamente por uma sensação de certeza.

O que é que “não te sentires em paz com isso” significa, afinal? Às vezes, é mesmo discernimento. Muitas vezes, porém, é uma forma mais fácil de dizer “não estou interessado” ou “há algo que não me convence” sem teres de explicar porquê. Vale a pena perguntares a ti próprio qual das duas opções é realmente verdadeira antes de usares essa expressão.

Os cristãos devem basear-se nos sentimentos quando namoram? Os sentimentos são informações úteis, não veredictos. A atração, o conforto e o prazer são importantes — mas o caráter, a consistência e os valores partilhados ao longo do tempo também o são. Nem os sentimentos nem os “sinais” devem ser os únicos a ditar as regras.

Mantém a conversa a rolar

Os encontros cristãos não têm de parecer que estás a decifrar um quebra-cabeças. No SALT, podes conhece outros cristãos solteiros que levam a fé a sério sem complicar demais cada passo — descarrega o SALT e começa a conhecer pessoas que percebem isso.

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